segunda-feira, 6 de abril de 2009


Marcharemos...

Existe um livro intitulado: Aliança Bíblica Universitária, esse livro não possui um final, pois narra contos da eternidade, eterno, todavia é um mosaico de instantes, de cada passo de estudantes que aprenderam a marchar de joelhos, e orar abraçados. Aventuras de heróis cuja força está na fraqueza e na amizade. Histórias de amor sem final feliz, pois esse livro não fala de fim, narra apenas infinitos. As pessoas vão embora, mas nada acaba. As lembranças, os abraços de sorrisos e de lágrimas não estão sujeitos ao tempo, por isso não são finitos, nem ao espaço, por isso não existe distância entre nós. Mesmo quando a amizade se tornar uma fotografia ou quando o amor tornar-se cartas amareladas ou e-mails da sua caixa de mensagens, mesmo quando nossa memória nos trair e nos condenar ao ingrato esquecimento, mesmo assim! Lembraremos que ainda estamos marchando... Marchando num Caminho comum, seguindo uma só esperança da nossa vocação, um só Senhor, uma só fé... Não se esqueça que um capítulo desse livro narra a sua história. E todos esses romances de pessoas que marcham estão escritos a punho no livro da vida. Levaremos conosco essa eterna aliança de esmero que não pode enferrujar e nem morte pode separar, contudo devo convir que há algo finito entre nós, isso é o que as pessoas chamam de saudades. Algo que carregaremos por muito tempo, mas sei que um dia o tempo dará lugar a eternidade.
Deus te abençoe... do amigo... Castro Lins

sábado, 28 de março de 2009

Aliança



Aliança de puro ouro,
É parte do dedo anelar,
Esse é o fim do namoro,
E o momento de casar.
Aliança no bolso
Do marido infiel,
A fidelidade da aliança,
Na arca de Israel.
Aliança que se esquece,
É ouro sem valor,
Diamante frágil
É a ferrugem do amor.
Mais valiosa que o ouro:
A amizade.
Mais forte que o diamante:
A fé e a verdade.
Mais brilhante que as estrelas:
Um sorriso.
A aliança de um amigo
Não está nos dedos,
No bolso,
Na arca,
Ela é ferro quente
E no peito marca,
Dói, mas é pra sempre,
Esse é seu lugar,
Essa aliança está no coração,
Faz parte de você,
É o elo
De um só corpo
Que não pode se romper:
Sou eu,
Somos nós,
É DEUS,
É você,
Até que nada nos separe.
Nunca esqueça que:
Nunca iremos te esquecer!

Castro Lins

Aliança Bíblica Universitária
ABU-Rural
Essa poesia é clássica nas despedidas dos bons amigos que se vão da ABU- Rural, é uma singela lembrança da nossa eterna aliança...

quinta-feira, 19 de março de 2009

Para Sempre...




Depois de tanto tropeçar no fim, aprendi a viver de horizontes, pois neles não há finitude. O tempo exige de volta os bons momentos que tomamos emprestado e o espaço cumpre seu dever e se coloca entre nós e as pessoas que amamos.
Saudade é se revoltar contra o tempo e o espaço.
Saudade é uma criança teimosa que pede e chora pela eternidade, onde não há tempo para roubar os bons instantes, nem espaço para romper com uniões eternas.
Saudade é um querer do porvir onde nada é deixado para trás, pois não existe espaço. Onde nada é entregue ao esquecimento, pois não existe passado cúmplice do tempo para envelhecer nossa memória.
Saudade é o lamento pela existência do fim.
Bem aventurado aquele que tem saudade, pois o fim dessa desventura será o consolo da eternidade.
Saudade é desejar o fim do conto de fadas, onde há sempre um “para sempre”.
Cássia Eller canta um belo verso: “...lembra quando a gente chegou um dia a acreditar/ que tudo era pra sempre/ sem saber/ que o pra sempre sempre acaba...”. Essa música é uma chave que abre uma caixinha de lembranças que guardo com carinho. Mas bem sei que um dia nem a saudade, nem os versos da Cássia Eller farão sentido algum. Estou certo que o amor não acaba. Um dia o sempre será pra sempre. Quando as utopias do amor serão reais. Quando as estrelas estiverem mais próximas de nós. Saudade é estar de olho no horizonte, de pés descalços na areia molhada pelas ondas frias do mar esperando apenas... Alguém voltar. Saudades é o que eu sinto dos amigos que conheci num janeiro ensolarado em Salvador.
Muitas saudades... Fica de olho no horizonte.
Do “para sempre” seu amigo
Castro Lins
Aprendi a partir e deixar para trás pessoas que amo, mas nunca foi fácil. As vezes tentei esconder esse sentimmento furtivo, mas hoje resolvi expo-lo com meus singelos versos. Talvez as cartas do apóstolo Paulo também tenham sido uma forma de calar uma saudade latente que ele sentia por irmãos que ele tanto amou, todavia viajar era preciso, nem mesmo a astuta saudade é capaz de deter a proclamação do evangelho. talvez eu sempre carregue comigo um pouco de saudade, afinal se há saudades é porque ainda há, ou um dia houve, amor. Esse texto também é uma carta a amigos mais chagados que irmãos que dividiram comigo apenas um breve momento, mas bem sei que um dia dividiremos a eternidade. Um dia contarei aos meus filhos histórias sobre amigos, alegria e fé, contarei sobre um janeiro ensolarado que o tempo não poderá roubar de mim, fiquem sempre de olho no horizonte...
Comentário do amigo Castro Lins

Hoje, minha testemunha é Deus, da saudade que tenho de todos vós, na terna misericórdia de Cristo Jesus. E também faço essa oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda percepção...
(Felipenses 1: 8-9)

sábado, 14 de março de 2009

Nesses últimos dias...


Nesses últimos dias, tenho observado uma angústia silenciosa entranhada e escondida em algum lugar, em algum momento, no espaço e no tempo, dentro e fora de mim.

Nos dias tristes as pessoas procuram caminhar, quanto maior a tristeza mais elas caminham, distanciam-se da cidade, dos homens, do asfalto e quando chegam no chão de barro elas se encontram, como se o espelho fosse feito de argila, como se não houvesse mais nada atrás, e a frente, apenas se ver um caminho que se encontra com o horizonte e não se enxerga o fim.

A tristeza não se ver ela é como a gravidade, apenas te faz cair. Cada passo a frente, deixa para trás uma lágrima que cai de seu rosto, é caminhado e dialogando com o caminho, deixando as dores pelo caminho e tornando-se leve para caminhar.


Nesses últimos dias, decidi caminhar. A beira do caminho vi uma criança tentando pegar borboletas amarelas com as próprias mãos, foi engraçado, o menino era enérgico e sorridente, parecia incansável em busca das belas e de tão ricas amarelas borboletas.Em minha tristeza vi felicidade. Passados alguns minutos, o pai do garoto – cansado do futebol - se aproxima e chama-o: “vamos para casa filho”.

Nesse mesmo instante o menino finalmente havia capturado sua borboleta amarela, instintivamente ele olha para o pai, olha para a borboleta na brecha de suas mãos, em menos de um minuto ele pensa em todo esforço, alegria e por fim sua conquista, olha para o pai novamente em sua impaciência, sorri e solta a borboleta que voa pelos ares, o garoto correu para os braços do pai e voltou para sua casa.
Eu vi aquela criança dando o seu melhor com entusiasmo em busca de um sonho voador, ela era feliz correndo, pulando e finalmente com a borboleta amarela tão sonhada nas mãos, mas inesperadamente e nesse exato momento seu pai lhe chama pelo nome, o domingo no parque havia chagado ao fim, junto a ele a felicidade se esvaia, o menino precisava ouvir a voz do pai e abrir suas mãos para a borboleta partir, ele não podia levá-la, certamente ela morreria.

Todo esforço, cada corrida, cada pulo, tudo ficaria para trás... As crianças são felizes no parque, com os amigos e até mesmo na escola.

Brincar é bom, caçar borboletas amarelas é divertido, mas quando a criança ouve a voz do pai ela percebe que aquele parque não é sua casa, aquele não é seu lugar, logo a noite vai chegar e com ela a escuridão vai descer.

A criança não pensou mais do que um minuto para correr em direção dos braços do pai, por mais incrível que pareça creio que, enquanto brincava, aquele menino cultivava em seu mente uma certeza concisa ao saber: de onde ele veio e para onde ele vai. O garoto sabia que viera com pai e que deveria voltar com pai, isso não o impediu de alegra-se no domingo, só contribuiu para melhor aproveitá-lo.
“Ora, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim... sabendo este que o pai tudo confiara ás suas mãos, e que ele viera do Pai, e voltava para o Pai”.(João 13:1-3).
Voltando a caminhar, entendi que nossas vidas devem imitar um garoto e sua borboleta. A nossa vida é um parque dos dias de domingo, devemos ser enérgicos, sorridentes e esforçados na busca do que deseja nosso coração, em busca do que acreditamos, em busca do amor. Precisamos estudar ou trabalhar, namorar, constituir família.

Devemos ser realista e sonhadores, políticos, lutar por ideais e fazer das belas utopias uma realidade, tocar e nos dar uns aos outros, correr na graça, e pular na fé, não deixando que o cansaço ou os tombos, tire a alegria dos nossos rostos nem o desejo de correr e brincar.

Essa é a melhor maneira de amar infinitamente até o fim.

Todavia caçar as belas borboletas é privilégio das crianças apenas. A felicidade também! O parque é divertido, mas ele não é nossa casa, nós viemos do Pai e ao ouvir o som da sua voz voltamos correndo para Pai, pulamos em seus braços, e Ele nos leva para nosso verdadeiro lar.
Nesses velhos dias, eu não havia aproveitado os dias de domingo, não brinquei, e as borboletas amarelas zombavam de minha moleza. Nesses últimos dias, tenho a certeza que vim do meu Pai e que logo voltarei para Ele, basta o som da sua voz e eu correrei como uma criança para seus braços, mas enquanto isso... estou caçando borboletas amarelas - amando até fim.
Castro Lins

sexta-feira, 13 de março de 2009

Prova de Amor


O que ela tem de mais belo?
Poderia eu nem imaginar,
Beleza de preencher oceanos,
Escreveria eu
Durante anos,
Terminaria minha vida
Mas essa poesia
Nunca ia terminar.
É como contar a constelação,
Caminhar do sol a plutão,
Tentar apalpar
As estrelas com as mãos,
Tentar quantificar em litros
As águas do mar
Enlouqueceria eu,
Tentando sua beleza explicar.
O cosmos é pequeno
Para conter meu sentimento,
Vermelho e doce como morango,
Amarelo e de brisa suave como outono;
Eterno, como as estações
Que renascem a cada ano.
Nada...
Nada assemelha-se a ela,
Sua graça e colorido
Faz inveja a primavera.
Branca e leve como a lã,
União de cores
Retratadas num só quadro
Chuva de flores
De flamboiâ
Pintadas e desenhadas
Com o romantismo da Itália
E pelas mãos de Leonardo.

Castro Lins


Divã: Quando Criança...

Quando criança deparei-me com uma crítica um tanto estranha, não sei bem por que meus pais sempre me recriminavam esperando de mim atitudes mais adultas.

Acho que eu era criança demais para compreendê-los, mas na verdade, ainda hoje, com meus vinte e poucos anos, guardo essa dúvida como uma esquisita lembrança da minha infância.

O mais interessante é que essa crítica sobreviveu os anos e meus amigos mais próximos afirmam, brincando, que minha idade máxima deve chegar aos 13 anos de idade, creio que não falam isso pelo meu rostinho de garoto (afinal já aprendi fazer a barba), essa opinião se deve as minhas brincadeiras bobas, ou ao meu apresso pelas crianças que chega a ponto de uma difícil distinção entre eu e elas, porém pessoas mais observadoras podem atentar ao detalhe da minha altura.
Nesses últimos dias, iniciei meus trabalhos de professor numa escolinha de interior localizada numa zona rural em um bairro carente do Rio de Janeiro.
A realidade fora do universo universitário é tristonha, sobretudo irônica.

Ironia esse bairro chamar-se Campo Alegre, ironia ainda maior quando vejo pessoas pobres e tristes morando ao lado do paraíso, ou melhor, a “Cidade Paradiso”, um conjunto habitacional que está sendo construído com promessa de lazer, beleza, paz e segurança para os filhos das famílias que estiverem dispostas a pagar por um terreno nesse paraíso.

O céu está de volta ao mercado, e o que separa as crianças condenadas socialmente com pena de muitas vezes freqüentar a escola em busca apenas da merenda escolar, dessas outras, aquelas destinadas ao paraíso: é apenas uma cerca de arame, ou duas placas cada uma se referindo a um bairro distinto do estado do Rio de Janeiro.

O paraíso é vizinho da miséria, na verdade sua alegria deve-se a tristeza do vizinho, sua existência de fartura deve-se a existência de escassez do seu vizinho, assim como não existiriam os ricos se não existissem pobres. Assim como a favela da rocinha cerca prédios de luxo, na esperança da suas sobras, migalhas do seu pão nosso de cada dia.

Essas são as atitudes adultas que mais me enojam, os adultos criam e respeitam as cercas, as crianças pulam os muros e brincam no quintal do vizinho independente da classe social ou cor de pele e sobrenome que seu amiguinho possa ter.

Atitudes adultas construtoras de cercas morais entre o paraíso e o inferno.

Julgamos uns aos outros nas duas caras da vida na face social e espiritual, no fim as cercas só nos separam, isso explica a razão da solidão dos adultos, chorar não é mais uma atitude infantil ela é particular aos adultos, já o mais puro e sincero sorriso, não aquele maquiado que vemos nos comerciais, falo das gargalhadas desprovidas de intenções, essas vão embora com a idade.

Quando comecei a conviver e observar as crianças dessa escola, percebi que meus pais e amigos estavam extremamente errados, infelizmente não sou uma criança.
Como alguém diante de um espelho enxerguei o adulto miserável que sou. Foi vergonhoso e ao mesmo tempo pacificador o instante em que pisei na escola e as crianças me abraçaram sem ao menos me conhecerem, abraços esses que eu nunca consegui oferecer as pessoas desde adulto.


Sempre tive dificuldade com abraços.


A cada dia que ficamos mais velhos (não me refiro à idade sim ao espírito terno), perdemos aos poucos o dom de expressar nossos bons sentimentos, o medo é o sentimento que nos leva a esconderijos, e como dizia Drumomm


“a prudência egoísta que nada arrisca, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade”.

A vida nos faz insensíveis a abraços, incapazes de ofertá-los, restringindo-os, muitas vazes, como exclusivos a minha “mãe e esposa”, suspeito e temo a economia dos abraços até entre pais e filhos.

As crianças expressam seus sentimentos com uma perfeição que inveja os poetas, não é nada fácil ser verdadeiro para alguém e lançar fora o medo ao mesmo tempo em que se sabe das responsabilidades e sacrifícios quando se diz:


Eu te amo.

Creio que as muitas frustrações do amor estão no medo de expressá-lo, ou até na insegurança de não ser correspondido, isso nos faz adultos de pedra, os sentimentos guardados findam na petrificação, ou pior, ganham uma nova natureza e podem tornarem-se odiosos armazenados como rancor.

Fiquei pasmo e derretido com cada abraço, com cada beijo sem lascívia, com cada cartinha de amor de desenhos simplórios e mal pintados escritos dessa forma:

“tiamo”.

Todavia não são cartas vazias, são carregadas com amor que invejaria o melhor entre os escritores, são bem mais que papel e grafia.

Mesmo diante de uma realidade tortuosa, mesmo preso ao meu pessimismo puramente racional que adquiri quando adulto, mesmo assim, meus ouvidos ouviram uma melodia de fé, quando algumas crianças recitaram seus sonhos. Desejos simples, mas que poderiam ser enquadrados como utopias diante do real.

Quando me tornei adulto, simplesmente perdi esse dom de sonhar, acreditar mesmo que as circunstâncias me torturem e me obriguem a negar tudo que acredito. As belas utopias que nos fazem caminhar foram esquecidas entre os trânsitos de carros da vida adulta.

O tempo que é curto apenas para o que temem, não nos permite olhar para as estrelas que são inalcançáveis, mas são o brilho na escuridão do céu noturno, guiam navegantes e nos levam a Belém, onde nasce a esperança.

Quando criança, tudo parecia mais fácil, não havia cercas entre eu e você, não havia filtro para palavras, pois elas já saiam puras.

As máscaras que usei, foram as do homem aranha, a imaginação era viva e sapeca, eu não sabia português, mas sabia abraçar.

As crianças não reverenciam nem inserem o perdão na complexidade que ele merece, perdão não é dito, as crianças apenas esquecem o que passou, minutos depois convidam seu opressor momentâneo para brincar de roda.

Quando criança chorava as dores das minhas perebas e tombos de bicicleta, quando adulto aprendi a esconder as lágrimas onde ninguém as encontraria no pique esconde, já não vivo aos berros, na maior idade o choro é silencioso e solitário, já não temos nossas mães por perto para consolar e passar pomada em nossas almas doloridas.

Já não adianta berrar, existe um uma barreira de concreto aprisionando o som, os fones de ouvido não permitem que alguém nos escute.

Não satisfeitos, roubamos o que não temos, para que ninguém mais o tenha, e exploramos crianças no trabalho infantil, ou talvez pior, simulamos e antecipamos a desgraça por vir, preparando-os para o julgamento final: o vestibular, onde as ovelhas serão separadas dos cabritos.

No fim, minha infantilidade não consegue entender o gigantesco muro que separa a Cidade Paradiso da miséria do bairro Campo Alegre.

Não encontrei respostas em livros adultos, nem em telejornais.

Talvez o sistema político seja apenas uma caricatura externa da nossa interiorizada e enrugada face adulta, que perdeu com o tempo os traços simplórios de um sorriso infantil.

Sei que o tempo não volta, mas quero destruir os muros de Berlim que construí outrora, não quero que ninguém se machuque mais com minhas cercas de arame farpado, e quando olhar as estrelas vou lembrar que não há véu nem muros que nos separem dos céus, os adultos dirão: utopia, as crianças dirão: fé...

Castro Lins

O Inexpressável inexpressivo...



Como aprisionar - te na melodia?
Cercar-te com notas,
Amarrar-te com versos?
Se tu transcendes a música,
A poesia,
O universo.
Como te expressar?
És imenso,
Mesmo assim
Sou míope a te enxergar.
Tu que zombas do fim,
Pois não conheces o tempo
E se tento
Tocar-te,
Foges, entre meus dedos,
Como sopro, como vento...
És assombro que vence o medo,
Não posso chamar-te apenas:
Sentimento...
És mais que palavra,
Não te sujeitas a raciocínios,
Teorias, pensamentos.
És flecha, no peito crava,
Até invadir o coração.
Não sei,
E se não acreditas,
Sei que existe,
Mas como expressá-lo?
Não é nada que se conquiste,
É independente
De valor extremo,
Não passa
E faz-me vassalo
E tremo
E calo.
Embriaga-me com meia taça.
Diante dele não falo,
Nem compro, nem vendo,
Como podes ser de graça?
Não sei sobre o que
Estou escrevendo,
Não conheço as estrelas,
Apenas me contento em vê-las,
Apenas contemplo.
És poema
E minha ousadia em ler,
A expressão suprema
De um bem querer,
Fruto de inspiração inigualável,
Romance que faz da vida
E da morte
Meros personagens,
O poeta que vê na poesia
Sua imagem.
Não posso resumir-te: empatia.
A paz e a minha agonia!
Por quê?
Como te expressar?
Só há uma forma
Onde o impossível
Possível torna,
É quando o intangível me abraça...
Mas como?
Chamam isso... apenas Graça.
Deparo-me com a poesia desmetrificada,
Escura de um fim de tarde,
Uma cruz mal desenhada,
Cenário sem formosura,
Espinho sem rosa,
Canção que o homem
Não pode compor,
A única forma de expressar
Essa inexpressiva imensidade
Reduzida na palavra: Amor.
Versos sem explicação.
És meu espanto,
A loucura da razão,
És o limite do infinito,
Inenarrável e santo,
Incondicional para além
Do bem... do mal.
Como podes tanto?
Quem és?
És tu amor!
As rimas do Deus poeta,
Quem podes conter,
Se amas até o fim,
Se amas até morrer!
Se te entregas a morte,
Todavia,
És da morte vencedor
Isso fazes pela impressiva poesia,
E assim expressas
Teu inexpressável amor...
.................Ágape..................


Castro Lins